sábado, 10 de novembro de 2012

FILIS E AMOR


FILIS E AMOR
(Manuel Maria du Bocage)


Num denso bosque
Pouco trilhado,
e a ternos crimes
Acomodado,

Por entre a rama
Fresca e sombria
Do tenro arbusto
Que me encobria,

Vi sem aljava
Jazer Cupido
Junto de Filis,
À mãe fugido.

Entre as nevadas
Mãos melindrosas
Tinha um fragrante
Festão de rosas.

A mais brilhante
Dele afastando,
Dizia a Filis
Com riso brando:
“Mimosa Ninfa,
glória de Amor,

ás-me um beijinho
Por esta flor”?
“Sou criancinha,
não tenhas pejo”.
Sorriu-se Filis
E deu-lhe o beijo;

Mas o travesso
Logo outro pede
À simples Ninfa
Que lhos concede.

Que por matar-lhe
Doces desejos,
A cada instante
Repete os beijos.

Assim brincavam
Filis e Amor,
Eis que o Menino,
Sempre traidor,


Co’a pequenina
Boca risonha
Lhe comunica
sua peçonha.
descora Filis,
e de repente
solta um suspiro
d’alma inocente.

Mal que o gemido
Férvido soa
O mau Cupido
Com ele voa.

“Ninguém, ó Ninfa
(Diz a adejar),
Brinca comigo
Sem suspirar
E deu-lhe o beijo;

Mas o travesso
Logo outro pede
À simples Ninfa
Que lhos concede.

Que por matar-lhe
Doces desejos,
A cada instante
Repete os beijos.

Assim brincavam
Filis e Amor,
Eis que o Menino,
Sempre traidor,


Co’a pequenina
Boca risonha
Lhe comunica
sua peçonha.
descora Filis,
e de repente
solta um suspiro
d’alma inocente.

Mal que o gemido
Férvido soa
O mau Cupido
Com ele voa.

“Ninguém, ó Ninfa
(Diz a adejar),
Brinca comigo
Sem suspirar

Nenhum comentário:

Postar um comentário