terça-feira, 25 de janeiro de 2011



Nevoeiro? Pareceu-lhe ter percebido nevoeiro. Que tolice! Com céu
limpo e um sol quente…

“Desculpa tio, não percebi…”, explicou.

“Eu disse nevoeiro. Está quase na hora. Mas fica descansada que
não há problema.”

E a Inês ficou baralhada. Continuava sem perceber nada. Olhou para
a tia em busca de algum esclarecimento, mas só obteve uma piscadela de
olho. Encolheu os ombros e deixou-se ficar. Daí a pouco, não muito longe
do local onde se encontravam e um pouco sobre o lado direito, começou a
levantar-se uma ligeira névoa. Primeiro bem juntinho à água, depois um
pouco mais para cima, até que finalmente ficou um nevoeiro cerrado da
altura de uma casa de primeiro andar, e que mais parecia uma grande
nuvem a flutuar sobre o mar.

“Está na hora”, avisou o tio Leandro pondo o motor a trabalhar. Inês
olhou para o relógio que marcava exactamente 11 horas. Inês Filipa, não
podes estar a acreditar no que vês, pensou para si, querendo contrariar o
que acabava de observar.

O barco arrancou lentamente para fazer os vinte metros que os
separavam do nevoeiro. Inês segurou com mais força a mão da tia Sónia à
medida que se aproximavam. Finalmente começou a sentir aquelas
gotículas de humidade esfriando a sua pele até que tudo ficou branco à
sua volta. Com o barco em movimento, passaram mais alguns segundos
até que o nevoeiro começou novamente a desvanecer-se. Mas em vez de
continuar a ver o mar, Inês começou a vislumbrar um mundo
completamente diferente

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